Uma das equipes do Parque da Mooca
Arquivo: C.A. Parque da Mooca

Dificilmente um clube da várzea alcançou ou alcançará tanto ou maior sucesso e prestígio do que o C. A. Parque da Mooca. Esse sucesso se deve não só a formação de poderosas esquadras mas também às várias competentes administrações ao longo dos anos, que transformaram o clube de um simples time de várzea num clube poliesportivo consolidado, com um considerável patrimônio, estimado na casa de 5 milhões de reais.

Tudo começou como a grande maioria dos times de várzea : em 26 de agosto de 1924, um grupo de amigos, dentre os quais vários componentes da família Gongora, imigrantes e descendentes de espanhóis, reunidos em um armazém situado na esquina das ruas Visconde de Inhomerim  e  João  Antonio  de  Oliveira  ,  resolveram   criar    um       time   de
futebol que recebeu o nome de Clube Atlético Parque da Mooca.

Dificuldades naturais fizeram com que o clube interrompesse suas atividades três anos depois, mas retornando com grande força em 1939, estabelecendo sua sede na Rua Borges de Figueiredo, no ponto final do bonde 50 e disputando suas partidas no chamado campo da Esso, sendo a diretoria composta pelos senhores Ranulfo (presidente), Espanta (diretor social) Elite (técnico), desde logo obtendo muitas vitórias contra renomados clubes como a Portuguesa, River Plate, Madri, Oliveira e tantos outros.

Uma das equipes do C.A. Parque da Mooca
Arquivo: C.A. Parque da Mooca

Mas, o grande impulso ocorreu já nos anos 70, quando a partir de então o Clube pode contar com uma plêiade de capacitados dirigentes como Áureo Marcelino, Sebastião Ubson, Ângelo, o hoje deputado José Índio e seu irmão Mauricio Ferreira do Nascimento, Arnaldo, André Castro, Marques, Sebastião Rodrigues Carlos Plácido, Osvaldo “Vado” Rodrigues Neto, Écio, Isaias, Tassio, Ademir, Gilmore Baccaro e tantos outros.

Foi justamente nessa época que o “Parque” adquiriu a sua primeira sede própria, na Rua Conselheiro Benevides, inaugurada que foi pelo  prefeito de São Paulo, Dr Faria Lima.

Foi  basicamente  a partir  de  então que o “Parque” notabilizou-se pelas conquistas de centenas de torneios, culminando com o título de Bi-Campeão Amador da Capital e Campeão do Estado, que lhe proporcionou a honra de receber as faixas de campeão em partida realizada em 13-07-1971 no Estádio do Morumbi, na preliminar do jogo Brasil x Áustria, em que ocorreu a despedida do Rei Pelé da seleção brasileira, diante de uma platéia de 150.000 torcedores.

Mas, as grandes conquistas não pararam por aí. Ainda nos anos 70 a TV Record, de São Paulo, criou um Torneio entre times de várzea, denominado Desafio ao Galo, que permaneceu no ar, por longos anos, sempre nas manhãs de domingo. A equipe vencedora permanecia no torneio até ser derrotada.

Ao final do ano realizava-se o Torneio Super Galo entre aqueles que haviam permanecido vencedores por determinado número de semanas. Os jogos foram inicialmente realizados no estádio do Juventus, transferindo-se depois para o campo do União Operário e, posteriormente, para o CMTC Clube.

Dirigentes do Parque recebendo a faixa de Campeão
Arquivo: C.A. Parque da Mooca
Antigos dirigentes

Desnecessário  dizer  que  o  Parque  da  Mooca  foi  o maior vencedor desse Torneio, chegando a ficar invicto por 26 partidas, marca esta nunca alcançada por qualquer outra equipe e  conquistando o Bi-Campeonato do Super Galo. No ano de 1979 o Parque da Mooca aventurou-se pelo futebol profissional, inscrevendo-se para disputar a 5a. Divisão do Campeonato Paulista de Futebol, sendo promovido no ano seguinte para a 3a. divisão em função de uma reestruturação na organização dos campeonatos, efetuada pela Federação Paulista de Futebol.

Também nessa época ocorreu aquela que talvez tenha sido a sua maior conquista, quando se tornou campeão da 1a. Copa São Paulo, jogando contra times profissionais tradicionais como Bragantino, Jabaquara, Portuguesa Santista, Paulista de Jundiaí e outros.

Mas não param por aí os grandes momentos do Parque : graças ao prestígio alcançado, o clube foi convidado a jogar na Argentina onde enfrentou o grande River Plate que, à época, era dirigido pelo nosso campeão do mundo, o Didi.

Sala de troféus
Arquivo: Portal da Mooca
Uma das equipes do Parque da Mooca
Arquivo: C.A. Parque da Mooca

Os grandes  custos  decorrentes da participação em  um campeonato oficial  e demanutenção de uma equipe adequada para tal, fizeram os Dirigentes do Parque desistirem dessa empreitada, voltando para o futebol de várzea.

Ao longo desses quase oitenta anos, grandes craques vestiram a gloriosa camisa preta e branca do Parque da Mooca, que, mais tarde, vieram a se tornar jogadores profissionais de futebol. Dentre eles, podemos citar : Pinga I, Pinga II, Orestes (Portuguesa), Efraim (São Paulo),Rodrigues Tatu, Giba, Écio, Pedrinho (Palmeiras), Poças, Nenê, Tanese, Zanetti, Minhoca (Juventus), Mauricio (Portuguesa), Manfrine (Fluminense), Roberto (Santos) e vários outros.

Hoje, como dissemos anteriormente, diante das dificuldades financeiras para a manutenção de times de futebol, o Parque da Mooca ainda mantém equipes, mas sem os consideráveis investimentos ocorridos no passado, dando prioridade para a sua sede social própria com cerca de 3 mil metros quadrados, localizada na Rua Padre Raposo 873, obviamente na Mooca, dispondo para seus associados de amplas piscinas, ginásio poliesportivo, salão de jantar, boate, academia, sala de jogos e, naturalmente….. um ótimo bar.

Na sede são exibidos,  orgulhosamente os mais significativos dentre centenas de troféus e taças conquistadas.

Uma das equipes do Parque da Mooca
Arquivo: C.A. Parque da Mooca
Ginásio de esportes
Arquivo Portal da Mooca
O Clube tem, ainda, à sua disposição para a prática de futebol, o CDM Parque da Mooca, antigamente conhecido como Pacaembuzinho , local que lhe foi cedido em comodato pela Prefeitura Municipal.

CDM Parque da Mooca
Arquivo: Portal da Mooca
Vado e Miguel Rodrigues em entrevista ao
Portal da Mooca
Arquivo: Portal da Mooca

Nossos agradecimentos a direção do C.A. Parque da Mooca e em especial aos Srs. Osvaldo “Vado” Rodrigues Neto e Miguel Rodrigues

Entrevista concedida em agosto/2002