FAMÍLIA DI CUNTO

Oriundo da cidade de San Marco di Castellabate, região de Campania ao sul da Itália, Donato Di Cunto primogênito e órfão de pai desde os 14 anos de idade, imigrou em 1878, com 17 anos de idade, embarcando em Nápoles com destino a Montevidéu, onde sua mãe tinha parentes. Como era analfabeto, recebeu a orientação de desembarcar no terceiro porto contado após a travessia do Atlântico: Rio de Janeiro (1º), Santos (2º) e Montevidéu (3º), porém, durante a longa viagem, houve a bordo um surto de doença contagiosa, que obrigou o navio a fazer uma parada forçada em Recife, para um período de quarentena. Esse imprevisto o confundiu: considerou o porto de Santos como a terceira parada e lá desembarcou.

Obviamente, não havia ninguém para recebê-lo e muito menos alguém que compreendesse o que dizia (o patrícios só iriam chegar nas levas de imigração quase dez anos depois). Com muita dificuldade, conseguiu encontrar quem lhe desse guarida. Porém, apesar de jovem, trazia consigo o espírito indômito do imigrante que não tem caminho de volta.

Isso fez com que fosse se adaptando às circunstancias e ao novo ambiente. Sem parentes, amigos ou conhecidos, Donato foi à luta: trabalhou uns tempos na construção de uma escola em Santos e, depois, em São Paulo,como tinha uma experiência no trabalho de carpintaria, teve certa facilidade em conseguir o emprego de ajudante de carpinteiro numa grande empresa da época (Banco União), cujo departamento de construções era chefiado pelo famoso arquiteto Ramos de Azevedo. Nessa empresa, teve condições de se alfabetizar e aprender desenho, chegando rapidamente ao cargo de mestre de obras do setor da carpintaria.

Donato Di Cunto
Acervo família Di Cunto
Navio que trouxe Donato Di Cunto
Acervo família Di Cunto

Oriundo da cidade de San Marco di Castellabate, região de Campania ao sul da Itália, Donato Di Cunto primogênito e órfão de pai desde os 14 anos de idade, imigrou em 1878, com 17 anos de idade, embarcando em Nápoles com destino a Montevidéu, onde sua mãe tinha parentes. Como era analfabeto, recebeu a orientação de desembarcar no terceiro porto contado após a travessia do Atlântico: Rio de Janeiro (1º), Santos (2º) e Montevidéu (3º), porém, durante a longa viagem, houve a bordo um surto de doença contagiosa, que obrigou o navio a fazer uma parada forçada em Recife, para um período de quarentena.

Esse imprevisto o confundiu: considerou o porto de Santos como a terceira parada e lá desembarcou.

Obviamente, não havia ninguém para recebê-lo e muito menos alguém que compreendesse o que dizia (o patrícios só iriam chegar nas levas de imigração quase dez anos depois). Com muita dificuldade, conseguiu encontrar quem lhe desse guarida. Porém, apesar de jovem, trazia consigo o espírito indômito do imigrante que não tem caminho de volta. Isso fez com que fosse se adaptando às circunstancias e ao novo ambiente.

Sem parentes, amigos ou conhecidos, Donato foi à luta: trabalhou uns tempos na construção de uma escola em Santos e, depois, em São Paulo,como tinha uma experiência no trabalho de carpintaria, teve certa facilidade em conseguir o emprego de ajudante de carpinteiro numa grande empresa da época (Banco União), cujo departamento de construções era chefiado pelo famoso arquiteto Ramos de Azevedo. Nessa empresa, teve condições de se alfabetizar e aprender desenho, chegando rapidamente ao cargo de mestre de obras do setor da carpintaria.

Ao centro, o patriarca Di Cunto, Donato juntamente com sua esposa Rosalia e o seu primogênito no final do século 19.
Acervo família Di Cunto
Ainda na Itália, Donato Di Cunto, sua esposa e seus 10 filhos, no final da década de 20.
Acervo família Di Cunto

A razão da vinda de Michelina e Lorenzo, deveu-se às más condições do velho sobrado e instalações da antiga padaria uma vez que estavam desocupados há mais de 4 anos. Lorenzo, carpinteiro prático que era, tinha como tarefa colocar a casa em condições de habitação, além de abrir um ponto para venda de pães, a fim de dar início ao processo de reabertura da antiga padaria fundada pelo pai, Donato Di Cunto. Após rápidas adaptações, no dia 14 de março de 1935, os irmãos Di Cunto: Vicente, Lorenzo, Roberto e Alfredo, reacenderam o forno restaurado, iniciando-se, assim, na atividade de padeiros.

O início foi muito difícil: era uma época de crise e na Mooca e região existiam dezenas de padarias: Roma, Itália, Trieste e Trento, Sguillaro, Iervolino, Batipaglia, Bifulco, Favorita, Sete Estrelas, Grandino, Flor do Brás, e tantas outras que abriram e fecharam em pouco tempo. Era prática de comércio o uso de cadernetas, onde as vendas eram registradas e os fregueses se comprometiam a pagar a conta no final de cada mês, mas para o comerciante não havia a mínima garantia; assim, os calotes se sucediam na mesma velocidade em que os devedores mudavam de endereço.

Os irmãos Di Cunto pagaram caro pelo noviciado cometeram erros pela inexperiência e amargaram os prejuízos; entretanto, assimilaram os erros e foram se aprimorando na profissão, baseados numa rigorosa economia, onde toda família trabalhava, dando o melhor de si, com o objetivo de vencer na vida, apesar de tantas dificuldades.

Os Di Cunto aprenderam com a prática e com o faro para os negócios. Em 1936, criaram a entrega em domicílio, coisa em que jamais alguém já havia pensado. No início, usaram um veículo de tração animal, depois um pequeno “furgão”. Em 1938 conseguiram reformar e ampliar o antigo Laboratório de manipulação, além de terem modernizado o antigo forno, que teve sua capacidade aumentada. Nessa mesma época iniciaram uma maior diversificação dos seus produtos, e a partir de 1939 começaram com a produção do panettone.

Chevrolet Ramona, um dos primeiros carros de entrega de pães da Di Cunto.
Acervo família Di Cunto
Aqui a frota se expande com os Fordson.
Acervo família Di Cunto

Em 1941 inauguraram modernas instalações que incluíam 2 novos fornos e amplo Laboratório. O período de 1942 a 1948 foi muito difícil, em razão dos sérios problemas trazidos pelos anos de guerra – racionamento de gasolina, da lenha, do sal – causaram enormes transtornos, obrigando até a volta do uso do transporte com tração animal, além da utilização do improvisado gasogênio.

Em meados de 1945 terminou o racionamento do combustível e começou o racionamento do trigo e de vários outros produtos como carnes, açúcar, gorduras, óleos comestíveis. O que mais prejudicou foi a falta da farinha de trigo; como se não bastasse a péssima qualidade devido a adição de misturas ao trigo de farinhas de mandioca, de milho, e até de arroz; a falta do pão, sua má qualidade, irregularidade no fornecimento, serviam como motivo de desentendimento entre os consumidores e os padeiros.

Em 1949, com a normalização do abastecimento das matérias-primas, foi inaugurada a seção de Confeitaria e reiniciada a fabricação do panettone.

Com o melhor abastecimento, melhoraram, também, a qualidade e o padrão dos doces e salgados produzidos, motivando assim, já na década de 1950, o atendimento de festas de aniversário, casamentos, batizados, etc, até chegar nos banquetes para até três mil convidados nos grandes clubes e entidades do Estado de São Paulo.

Em 1957, a empresa abriu uma loja em imóvel próprio na Rua Augusta, com bastante sucesso; em 1961, passou o ponto, a fim de concentrar os investimentos na loja matriz, com nova ampliação, acrescentando moderna seção de rotisserie, especializada em massas frescas, recheadas e semi-prontas, além dos doces e bolos decorados, salgados, pães e prestação de serviços de buffet. Mais recentemente uma moderna filial foi instalada no bairro Tatuapé

Todos os 4 irmãos fundadores são falecidos; à frente dos negócios Reinaldo, herdeiro de Roberto; Marco Alfredo e Antonio Carlos, herdeiros de Lorenzo e Paula, herdeira de Alfredo que conduzem a casa com o mesmo empenho e dedicação dos fundadores.

A casa na Rua Borges de Figueiredo que por duas décadas serviu de moradia, fábrica e loja.
Acervo família Di Cunto
Foto da família Di Cunto – década de 50
Acervo família Di Cunto